"O que os Médicos Têm Contra a População? O Lobby que Mata"
O que os médicos têm contra a população?
A orquestração silenciosa entre CFM e AMB que protege privilégios e sufoca o acesso à saúde
É difícil não se perguntar: o que, afinal, os médicos têm contra a população? A cada novo capítulo da novela do corporativismo médico no Brasil, mais evidente fica que não se trata apenas de proteger a qualidade da medicina — mas de proteger o próprio bolso, o poder e uma reserva de mercado digna de cartéis.
Sob o manto da "segurança do paciente", o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) atuam como fiéis guardiões de um sistema feito para manter o status quo. A retórica de defesa da saúde pública, repetida à exaustão, não passa de verniz ético sobre um projeto altamente lucrativo e excludente.
O contrato milionário da vergonha
Recentemente, veio à tona um contrato entre o CFM e a AMB que levanta sérias suspeitas. Com cifras que ultrapassam dezenas de milhões de reais, o acordo gira em torno da certificação de especialistas — um processo burocrático, hermético e completamente dominado por essas duas entidades.
A justificativa? Garantir a qualidade dos profissionais.
A realidade? Um esquema de reserva de mercado altamente lucrativo, blindado contra qualquer forma de fiscalização ou democratização.
O Revalida como trincheira do elitismo
O exame de revalidação de diplomas médicos (Revalida) é uma das faces mais cruéis dessa engrenagem. Médicos formados no exterior, muitos com formação sólida e experiência prática em regiões carentes, enfrentam uma via-crúcis imposta por lobbies corporativos. Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem sem acesso a cuidados básicos, principalmente no interior do país.
O resultado é perverso: menos médicos podendo atuar, mais pacientes morrendo por falta de atendimento.
Protegendo o atraso
Enquanto o mundo discute educação médica continuada, certificações modernas e auditorias independentes, o Brasil se agarra a mecanismos que mais servem para blindar os já estabelecidos do que para elevar a qualidade do cuidado prestado.
Critérios claros?
Auditoria externa?
Atualização periódica obrigatória?
Nem pensar.
O objetivo não é proteger o saber — é proteger o privilégio. E nesse jogo, o conhecimento é frequentemente substituído por uma ignorância estratégica e conveniente.
Quem ganha e quem perde?
Quem ganha: As elites médicas, que mantêm o mercado fechado, os exames controlados, a formação elitizada — e o faturamento crescente.
Quem perde: Você. O paciente.
A população que enfrenta meses de espera por uma consulta, que morre em filas de hospitais, que vê a medicina brasileira se tornar um clube privado, inacessível, arrogante e autorreferente.
Uma reforma urgente
A medicina brasileira precisa de uma revolução ética, legal e educacional. Isso inclui:
Transparência total nos contratos do CFM e da AMB
Critérios objetivos e auditáveis para certificações
Democratização real do acesso à profissão médica
Fiscalização independente sobre conselhos de classe
O fim do monopólio travestido de zelo profissiona
Porque, no fundo, a pergunta certa não é mais "o que os médicos têm contra a população?", mas:
até quando a população vai tolerar isso?



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